O Prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB), anunciou nesta quinta-feira (22), durante lançamento da primeira horta urbana da capital, que a Prefeitura vai cortar o ponto dos servidores que aderirem à greve geral iniciada nesta manhã. A paralisação conta com a adesão de diversas categorias e é uma forma de pressionar o Município por reajuste.

Os servidores cobram um aumento de 6,29%, o que seria equivalente à reposição da inflação acumulada ao longo dos últimos doze meses. No entanto, a Prefeitura de Maceió nega qualquer alta, sob o argumento de que a crise econômica pela qual passa o Brasil atualmente e a baixa arrecadação municipal inviabilizam repasses aos trabalhadores.

Nesta manhã, Rui Palmeira reforçou esse discurso e disse que só é possível conceder aumento salarial quando houver “segurança”. De acordo com o prefeito, “falta bom senso a boa parte dos sindicatos”, o que estaria travando as negociações com o poder público.

“É um momento difícil para o país. Não sabemos nem quem vai ser o presidente amanhã. A arrecadação federal caiu mais uma vez no mês passado, o que reflete diretamente no FPM [Fundo de Participação dos Municípios]. Nós não vamos conceder reajuste enquanto não tivermos segurança para fazer isso”, explicou.

E acrescentou: “Temos tomado medidas visando melhorar a possibilidade de reajuste, como o projeto de reequilíbrio dos fundos previdenciários. Com isso, vamos conseguir economizar em torno de R$ 3 milhões por mês. Também estamos minimizando os custos do município visando também o servidor. Agora, para toda ação existe uma reação. Uma ação recente do STF [Supremo Tribunal Federal] diz que gestores de municípios, estados e da União devem cortar os dias não trabalhados. É uma decisão do Supremo, com repercussão geral, e vamos cumprir essa decisão, que é cortar o ponto imediatamente de quem aderir a essa greve”.

Apesar de ameaçar cortar o ponto, Rui Palmeira diz que os canais de negociação estão abertos com os servidores. “Já mostramos os números e acho que falta um pouco de bom senso. Há também uma questão política por trás disso, porque mostramos a eles que os números hoje não nos dão condições de conceder reajuste. Pedimos mais 90 dias, porque estamos tomando várias medidas de contenção de gastos e podemos voltar a conversar no segundo semestre. Mas, em nenhum momento, nós fechamos as portas e dissemos que o reajuste seria zero. Dissemos que nesse momento não poderíamos porque não adianta conceder reajuste agora para daqui a alguns meses não conseguir pagar. Se for possível, no segundo semestre, a gente senta e apresenta uma proposta dentro do que é possível “.

HORTA URBANA

Sobre a horta urbana, o prefeito afirmou que a proposta do Município é ocupar espaços que serviam como pontos de acúmulo de lixo a um baixo custo. “É um projeto inovador que visa engajar a comunidade e manter limpos alguns terrenos que hoje são pontos de acúmulo crônico de lixo. Com esse tipo de ação, que é de baixo custo, podemos conseguir manter esses espaços limpos e as pessoas vão poder ter aqui hortaliças à disposição . Queremos levar para outras comunidades”.

Texto Eduardo Almeida e Larissa Bastos / GazetaWeb