O sargento da PM Rafael (32 anos), há mais de uma década na Polícia Militar paulista, reagiu a um assalto e matou dois ladrões a tiros enquanto segurava seu filho de cinco meses no colo. Os assaltantes entraram em uma farmácia em Campo Limpo Paulista (a 53 km de SP) numa noite de sábado quando o policial e a mulher estavam comprando leite para o filho. As imagens foram gravadas por câmeras de segurança. O caso é investigado pela PM em inquérito policial militar.

RELATO

Saquei minha arma, levantei com o meu filho no colo, apontei para o assaltante e falei: “meu, para, é polícia, é polícia”. Foi aí que ele efetuou os disparos. Vi que ele apertou o gatilho. Por sorte, por Deus, não sei, um pouco dos dois talvez, a arma dele não funcionou. Eu não podia esperar funcionar, então atirei.

Depois, na delegacia, soube que ele apertou o gatilho cinco vezes. A munição ficou marcada com cinco furinhos, toda picotada. Mas a arma e a munição eram velhas, por isso não disparou. Ainda bem.

Quando eu atirei, minha esposa abaixou, e o farmacêutico ficou na linha de tiro. Eu tentei proteger meu filho com o corpo, dando a minha lateral para o ladrão. Atirei cinco vezes nele, enquanto andava para trás. Ele caiu.

Percebi que, enquanto me afastava de um, me aproximei do outro, que estava perto da porta. Virei e vi que ele começou a correr. Parecia estar armado, mas não estava. Efetuei dois disparos, um pegou na parede e outro o atingiu. Ele saiu da farmácia correndo, mas morreu na rua.

Quando tudo acalmou, entreguei meu filho para minha esposa. Depois desarmei o assaltante dentro da farmácia e chamei a ambulância. Ele balbuciou alguma coisa, mas não deu para entender, porque já estava morrendo.

Nunca tinha matado alguém. Ninguém gosta de tirar a vida do outro, mas era eu ou ele. Se acontecesse de novo, tomaria a mesma atitude. Tenho para mim que não fiz nenhuma maldade. O ladrão tentou roubar e teve azar. Eu defendi a minha família, as vítimas na farmácia e só.

Com informações da Folha de SP